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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Jardim I, por Pedro Castelhano

É noite. Nem o vento respira
neste jardim abandonado.Poucas
são as vozes que vão preparando
a morte.Só uma criança perturba
a grama com folhas dispersas de
árvores que nem os pássaros acolhem.


É noite. O relevo das montanhas
com luzes ao alto não sossega a alma.
Como direi aos vindouros que aqui
houve sonhos, sexo sonhado, ternuras
mal encaminhadas? Nem o vento
respira. Que sussurro alonga esta
noite? Que culpas há de envelhecer
com estas cadeiras tão cheias de vazio?


A sombra das árvores reflecte-se no chão
como caminho que não se deve percorrer
nem perguntar aos deuses que passos
inventaram para sair do jardim feito
labirinto. São disformes as sombras.


Inclina-se a noite para um maior
silêncio. Pessoas passam dissolvidas
no tempo, restos de mim de outrora.
Não sei dizer não à melancolia.
Esta noite amaldiçoarei os deuses
que o meu destino é chegar ao fim
sem nada que mereça. AH! O jardim.

Pedro Castelhano

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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Freixo de Espada à Cinta - À Vista de Pássaro


Freixo - Voo de Pássaro from Leonel Brito on Vimeo.

O  voo da águia

A águia, invisível mas sempre presente, vigia, flutuante, os lugares sagrados, habitados há milénios por homens que hoje vão desaparecendo.
 A sua visão, aberta e atenta, feita também do prazer de um mensageiro dos deuses, cativa a água límpida do Douro entre fragas que os séculos lavraram e pousa o seu remanso olímpico na vinha verde e vibrante, nos laranjais com suco de ambrosia, nos olivais cujas folhas consagravam  e coroavam os melhores e o azeite alimentava as candeias dos sábios gregos.
 A águia percorre o concelho de  Freixo de Espada à  Cinta, no seu voo de rainha, na sagração da Primavera, identificando aldeias e caminhos, casas, praças e pracetas. E a Torre do Galo como um marco e canto secular, berço e sentinela do destino de um povo poético e missionário. É o farol de granito nas tormentas da História.
 Mas sempre o Rio e as suas margens. A identidade de Freixo começa e acaba no Rio.
A geografia da água é intemporal.
Tudo cresce, nasce, morre e renasce.
 E o Rio, sempre o Rio entre pedras e o xisto que refulge nas casas e na paisagem.
 Do suor do Rio, misturado com o suor dos homens, escorre o vinho e o azeite, descasca-se a laranja e parte-se a amêndoa.
 Deste espaço sagrado, com a vigilância permanente do águia, do Penedo Durão às arribas abruptas de Espanha, que poderão dizer os deuses, senão, perplexos e invejosos, reconhecerem: o Olimpo está em Freixo de Espada à Cinta.
 E a águia em voo rasante, poesia e voz autorizadas pelas águas do Douro, pela pedra e pelo xisto, pelos olivais, laranjais e amendoais, como se fora uma oração à luz e ao pão, responde-lhes:

Ó deuses, eu não vos disse?

Rogério Rodrigues

quarta-feira, 12 de março de 2014

Rogério Rodrigues na Rádio Brigantia

Publicado no blog oficial da Academia de Letras de Trás-os-Montes(ALTM)

Pode preencher  a ficha de Inscrição da ALTM AQUI

link: http://altm-academiadeletrasdetrasosmontes.blogspot.pt/2014/03/academia-de-letras-programa-de-outubro.html

quinta-feira, 11 de abril de 2013

“Histórias de Benlhevai” de José Maria Fernandes


O Centro de Memória recebeu no dia 23 de Fevereiro a inauguração da exposição de pintura “Olhares” de Fernanda Ferreira.
 A exposição constituída por cerca de 30 quadros estará patente no Centro de Memória de Torre de Moncorvo até dia 22 de Março de 2013.
De seguida no auditório da Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo, o Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, Eng.º Aires Ferreira, deu continuidade à sessão referindo que este ano o Município decidiu iniciar o programa das Amendoeiras em Flor com atividades culturais. Rogério Rodrigues tomou a palavra para apresentar o livro “Histórias de Benlhevai” de José Maria Fernandes. O autor explicou que este livro surgiu porque tinha necessidade de deixar guardadas memórias escritas de algumas histórias que ele conhecia e outras que ouviu.
Hélder Rodrigues, autor de “Terra Parda: Contos” fez a apresentação do seu próprio livro referindo que se divide em 22 contos que contam a história da ruralidade transmontana e que contempla temáticas atuais da vida agreste do nordeste transmontano.
https://mail.google.com/mail/u/0/?tab=wm#inbox/13d2078818b300be
Apresentação do livro “Histórias de Benlhevai”,por Rogério Rodrigues

Benlhevai é o Reino Maravilhoso de José Maria Fernandes. Pertencendo a um família numerosa e ele com assento mais permanente nesta aldeia de Vila Flor, foi incumbido de ser o cronista-mór do Reino.
E desempenhou bem as funções, porque este livro é e será uma preciosidade para os estudiosos de antropologia, etnografia, comportamentos sociais,linguística mesmo ou sobretudo nos regionalismos, localismos ou corruptela das palavras, o que levou, compreensivelmente,o autor  a apendiçar um glossário à obra.
 O que nos pode surpreender neste livro é a coexistência do sagrado com o profano, o repositório de um conhecimento empírico e ancestral na nomeação e catalogação das alfaias agrícolas , das suas características e utilização.
É toda uma cultura popular, mais assente na passagem de testemunho e memória de pai para filho, do que em qualquer documento escrito.
Registe-se também, e não é tão pouco, uma recolha da sabedoria popular, dos costumes, e dos ciclos da vida do homem e da Natureza. E nunca, como aqui, o homem e a natureza andaram tão ligados e foram tão dependentes um do outro.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Vila Real - "Três dedos abaixo do Joelho"


"Três dedos abaixo do Joelho" é um espectáculo encenado e com dramaturgia de Tiago Rodrigues, sendo interpretado por Isabel Abreu e Gonçalo Waddington, que estará em cena no dia 30 de Março no Teatro Municipal de Vila Real, às 22h00. "Três dedos abaixo do joelho" foi premiado para Melhor Espectáculo de 2012 pela SPA (Sociedade Portuguesa de Autores).http://www.noticiasdevilareal.com

E se a censura fosse poesia? E se os censores se transformassem em dramaturgos? Tiago Rodrigues pega nos relatórios escritos pelos censores da época do regime fascista relativos aos cortes de milhares de textos de teatro para explorar uma herança que pode ajudar a “redescobrir o perigo e a importância do teatro na sociedade”.
A investigação foi levada a cabo na Torre do Tombo, onde Tiago Rodrigues se deparou com um arquivo enorme repleto de textos de teatro censurados pelo Secretariado Nacional de Informação, à época do Estado Novo. O que interessou mais ao criador foram os relatórios em que os censores explicavam os cortes e proibições de textos e encenações. Ao ponto de transformar em dramaturgos os que outrora foram entraves à liberdade artística.