sábado, 8 de março de 2014

DIA INTERNACIONAL DA MULHER (Em sua homenagem,reeditamos textos das nossas colaboradoras)

ADEGANHA - CARDANHA : O PLANALTO DAS LENDAS, Virgínia do Carmo

Existe um lugar, algures no concelho de Moncorvo, que persiste em interromper os montes de fragas e pedras, entremeados por terra árida e ingrata ao trabalho dos homens, para se afirmar como um oásis de história e de lendas; um lugar isolado por caminhos deteriorados e uma população cada vez mais escassa e envelhecida, onde se respira passado e é fácil esquecer o presente.
Situa-se na fronteira do concelho de Moncorvo com o de Alfândega da Fé e tem muitos séculos de História para contar. O Planalto Adeganha - Cardanha guarda lendas e ruínas, algumas delas imperceptíveis para os olhares dos comuns mortais.
É o caso da ponte de cantaria datada do século XVI, classificada como monumento nacional.
Derruída,vista das fragadas 
Esta ponte une as duas margens do rio Sabor, num lugar onde já existiu uma vila, a Derruída ou Vila Velha de Santa Cruz. Esta vila medieval, com carta de foral de 1225, encontra-se completamente abandonada e muito dificilmente consegue, ainda, subsistir ao avanço das fragas e da erosão.
A alguns metros ergue-se a capela da Senhora da Candoeiro, outra povoação que terá sido a capital de uma tribo celta, a tribo Baniense. Ainda são visíveis alguns vestígios da Capela de S. Mamede, que durante a ocupação dos mouros lhes terá servido de mesquita.
Apesar da degradação dos acessos e dos próprios monumentos, este planalto não deixa de ser um oásis de História no meio de um deserto de terra.

A Lenda das Três Marias

Na origem do nome da povoação de Adeganha diz a tradição estar a Lenda das Três Marias.
Esta lenda refere-se a três irmãs pastoras, que guardavam gado, entretendo-se, nas horas vagas, a jogar às cartas. Mas uma das irmãs acabava sempre por ganhar. Quando as outras duas descobriram que ela fazia batota, combinaram entre si queimá-la viva.
Portal da Igreja de Santiago Maior
Um dia, enquanto acompanhavam os rebanhos pelos campos no Frei-Vivas, lugar muito afastado da aldeia, acenderam uma fogueira deitaram-na para lá e com os dedos em figa iam dizendo “Arde e ganha! Arde e ganha!”
E daqui terá surgido o nome de Adeganha.
Esta lenda está materializada numa figura que podemos ver sobre o Portal da Igreja de Santiago Maior, Matriz da Adeganha.

Virgínia do Carmo
Publicado no Semanário Transmontano.
Postado a 26/06/11

DIA INTERNACIONAL DA MULHER (Em sua homenagem,reeditamos textos das nossas colaboradoras)




A origem do  Dia Internacional das Mulheres apresenta algumas versões  nem sempre coincidentes, mas o que realmente importa é lembrar a força das mulheres em todo o mundo.
A ideia de celebrar um Dia da Mulher vinha já do séc. XIX e, com maior ênfase desde os primeiros anos do século XX, na Europa e nos Estados Unidos, devido à luta , melhor dizendo , devido às lutas das mulheres por melhores condições de vida e de trabalho, bem como pelo direito de voto.
A proposta do Dia Internacional da Mulher foi iniciada na viragem do século XX, durante o processo de industrialização e expansão económica, que levou a grandes protestos sobre as condições de trabalho. Mulheres empregadas na indústria têxtil foram o grande motor de um desses protestos em 8 de março de 1857 em Nova Iorque, protesto esse barbaramente reprimido pela polícia, mandada avançar pelos patrões. As operárias pediam apenas a redução de 16 horas de trabalho diário para 10  e salários mais altos, propondo que lhes fosse paga a metade do salário dos homens, pois elas só recebiam cerca de um terço.
Três teses subsistem para que a data de 8 de Março  passasse a ser comemorada mundialmente:
1)   a terrível repressão do protesto das operárias em 8 de Março de 1857, em Nova Iorque;
2)   o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist (que revelou as péssimas instalações em que laborava  e as condições subumanas em que laboravam as trabalhadoras ) e que também ocorreu em Nova Iorque em 25 de Março de 1911, e causou mais de 140 mortes. (Segundo relatos, cerca de 129 trabalhadoras tentaram escapar, mas encontraram as portas trancadas e foram queimadas vivas);
3) o grande protesto “Pão e Paz”, realizado por 90 mil  operárias russas da indústria têxtil contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial. Essa gigantesca greve teve início  no dia 23 de Fevereiro de 1917,  pelo calendário Juliano, correspondente a 8 de Março pelo calendário gregoriano. (1)           
         
Depois destes acontecimentos históricos, e com a Primeira Grande Guerra, muitos outros protestos de fortes grupos femininos foram surgindo por todo o mundo.
Em 1910 ocorreu a primeira Conferência Internacional sobre a Mulher em Copenhaga e aí, em resposta a uma proposta de Clara Zetkin, foi aprovada a celebração do Dia Internacional da Mulher. Ainda sem data determinada. O que viria a acontecer no ano seguinte.
Nos países comunistas a data era celebrada com grandes  festividades, muita pompa e circunstância.  No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado no começo do século, até à década de 1920. Depois, a comemoração foi caindo  no olvido durante alguns, assaz  longos, anos e foi somente recuperada pelo movimento feminista, já na década de ´60. Actualmente, com algumas interessantes excepções, a celebração do Dia Internacional da Mulher perdeu  bastante do seu significado original, adquirindo um caráter festivo, sim, mas mais comercial.
O ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e, em Dezembro de 1977, o Dia Internacional da Mulher – 8 de Março -  foi adoptado pelas Nações Unidas, para lembrar as conquistas políticas, sociais e económicas das mulheres corajosas que nos precederam.


(1)Trotsky regista o acontecimento: “Estavam planeadas acções revolucionárias e, contra as nossas directivas, as operárias texteis deixaram o trabalho em várias fábricas e enviaram delegadas informando da sua greve. Todas sairam às ruas : foi uma greve de massas. Mas não imaginávamos que este “dia das mulheres” viria a ser o rastilho da revolução”.
(História Viva “Conquistas na luta e no luto” , por Maira Kubik Mano, fonte: Internet)

Leiria, 8 de Março de 2013
Júlia Ribeiro
Foto de Lb

sexta-feira, 7 de março de 2014

Nordeste Transmontano mostra-se na Rússia

Bragança, 07 mar (Lusa) -- O mais recente projeto de promoção do Nordeste Transmontano, o 'Try Nordestin', vai marcar presença numa das maiores feiras de turismo da Europa, a Intourmarket, que decorre de 15 a 18 de março, em Moscovo, na Rússia.
A plataforma digital que reúne os principais motivos turísticos desta região foi lançada pela Corane, a Associação para o Desenvolvimento dos Municípios da Raia Nordestina, e será "a única presença portuguesa" neste evento internacional, segundo divulgou hoje a promotora.
A Intourmarket - Feira Internacional de Viagens e Turismo contará com 1.400 expositores de 143 países e espera mais de 85 mil visitantes e 320 jornalistas acreditados.
De acordo com a coordenadora da Corane, Luísa Pires, esta presença na Feira valeu também ao 'Try Nordestin' o convite para conceder uma entrevista de 15 minutos ao canal televisivo russo Travel Guide TV, com transmissão internacional, que vai acontecer entre os dias 15 e 17 de março.
A Corane conta com um novo parceiro no projeto e nesta deslocação à Rússia, a congénere Desteque - Associação de Desenvolvimento da Terra Quente Transmontana.
A coordenadora desta associação, Aurora Ribeiro, destaca a importância de promover "o enorme potencial turístico" do Nordeste Transmontano "nos mercados tradicionais, mas também nos mercados emissores atrativos e emergentes, e a Rússia é um deles" com um "nicho de visitante que se adequa a este território".
Durante os quatro dias de presença na Rússia, serão mostrados conteúdos e informação de toda a região transmontana", adiantou Luísa Pires, coordenadora da Corane.
O objetivo desta participação é também, segundo as responsáveis, distribuir material informativo pelos grandes grupos, agências de viagens, profissionais de turismo, jornalistas, 'bloggers', "procurando despertar-lhes o interesse para que o Nordeste de Portugal possa integra os pacotes que comercializam".
O propósito da Plataforma de Gestão de Destino Turístico 'Try Nordestin' é organizar a oferta existente na região e criar ferramentas para que os artesãos, os apicultores, os produtores de fumeiro e outros pequenos empresários, entre outros, possam dar a conhecer o que fazem.
Ao projeto associou-se a restauração, o alojamento, o património, os equipamentos culturais, os espaços de lazer, as salas de congressos e outros pontos de interesse, "que no seu conjunto reúnem condições de atratividade e competitividade com outros territórios imprescindíveis para a afirmação do destino Nordeste de Portugal".
"Este projeto tem a mais-valia de ter sido criado de baixo para cima, nós como entidades responsáveis pelo desenvolvimento rural sentimos que os produtores reclamavam este tipo de iniciativas, que se trabalhasse o turismo de forma séria e profissional", argumentou Luísa Pires.
HFI // JAP
Lusa/fim

"A Mulher que venceu Don Juan"de Teresa Martins Marques

A mãe de Luís, transmontana de gema, nunca entendera que criatura era aquela com quem o filho casara. As visitas dos pais começaram a rarear, quando a nora, mostrando ostensivamente os maus modos, lhes fez notar que ali não havia lugar para eles.
− A alma do diabo da mulher − dizia a senhora Adelina ao seu homem, mal entrava na camioneta da carreira que havia de a levar de volta a Torre de Moncorvo e à sua casinha modesta, na freguesia da Adeganha.
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Dona Sofia Gaspar, natural de Adeganha.
Excerto de uma entrevista para o 
“Arquivo de Memória do Vale do Côa”.

Quinta de Crestelos, Meirinhos, Mogadouro, Novembro de 2013

Zona inundada pela barragem do Baixo Sabor.
Fotografia de José Rodrigues.

A MAJESTOSA COR DO TEMPO // LA MAJISTOSA QUELOR DE L TIEMPO,por Luís Borges e Amadeu Ferreira

 [Castanheiros. Alfândega da Fé]

já foram pão, ainda são sustento e deles tiraram um dia os reis a ideia de majestade, mas muitos séculos depois apenas os castanheiros a guardaram; alinham-se pelos outeiros e planaltos como menires ainda com vida e a neblina que parece envolvê-los outra coisa não é que a cor do tempo: ainda que com o secular tronco carcomido, não desistem de viver nem se cansam, a cada outono, de explodir numa quente risada de castanhas.
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yá fúrun pan, inda son sustento i deilhes sacórun un die ls reis l’eideia de majistade, mas muito tiempo apuis solo ls castanheiros la guardórun: alhínhan se puls cabeços i prainadas cumo menhires inda cun bida i la nubrina que parece ambolbé los outra cousa nun ye que la quelor de l tiempo: anque cun tuoro puls seclos quemido, nun zísten de bibir nien se cánsan, a cada outonho, de arrebentar nua caliente risada de castanhas.

Luís Borges (foto) e Amadeu Ferreira (texto)
https://www.facebook.com/pages/Lu%C3%ADs-Borges-e-Amadeu-Ferreira/246368075500628?fref=ts

Vem aí a Primavera

Foto L.b.

GASTRONOMIA E ARTESANATO DO CONCELHO DE VINHAIS EM OEIRAS


A XV Promoção Gastronómica e Mostra de Artesanato do Concelho de Vinhais decorre nos dias 7 (das 17H00 às 23H00), 8 (das 10H00 às 23H00) e 9 de Março (das 10H00 às 19H00), no primeiro andar do Mercado Municipal de Oeiras.
A entrada é livre.
São três dias pautados pelo ambiente tradicional e descontraído onde impera a gastronomia transmontana, o artesanato e a animação.
Esta iniciativa é apoiada pelas Câmaras Municipais de Oeiras, Vinhais e a Casa do Concelho de Vinhais.


Esta iniciativa é apoiada pelas Câmaras Municipais de Oeiras, Vinhais e a Casa do Concelho de Vinhais
http://www.cm-oeiras.pt/agenda/Paginas/GastronomiaertesanatoConcelhoVinhaisOeiras.aspx

MULHERES DE MONCORVO - HOMENAGEM


TORRE DE MONCORVO - Manuel de Sousa Moreira

Quem era o fundador de A Torre ?

Manuel de Sousa Moreira nasceu em Pegarinhos, concelho de Alijó, em 20 de Março de 1901.
Era filho de Maximino Moreira e Maria Leopoldina. Em 1920 foi para Angola, onde permaneceu durante 10 anos e aí casou com Maria do Rosário Monteiro.
Regressando à Metrópole «... enamorou-se da vetusta vila de Moncorvo...» e por aqui chegou em 1930.
Vocacionado para o Comércio, homem dinâmico e de iniciativa, em breve fundou a Casa Moreira, o Café Moreira e o Stand Moreira.Armazenista de materiais de construção monta, também, uma garagem e oficina de reparação de automóveis. Cria a indústria «... de transportes em automóveis, nas modalidades de carga e carros ligeiros de passageiros...».Explora em regime de concessão o Cine-Teatro e, finalmente fundou o jornal A Torre.Além da sua intensa e extensa actividade comercial consegue ainda tempo para desempenhar funções como Membro do Conselho Municipal, Vereador da Câmara Municipal, vogal da Comissão Concelhia da União Nacional, Presidente da Junta de Freguesia — quase durante vinte anos, Sub-Delegado do Grémio dos Retalhista e Mercearia do Norte de Portugal.
A 26 de Maio de 1985 falecia em Moncorvo o homem que foi bom chefe de família, um «... conceituado comerciante da praça de Moncorvo...» e um grande amigo de Moncorvo.
A Torre teve muitos e bons colaboradores. Citamos apenas alguns nomes desses colaboradores:
Major A. Guerra Tenreiro; Dr. Cristiano de Morais; Dr. Afonso Pinto; Dr. Armando Pimentel; D. Cândida Ribeiro; P. Joaquim M. Rebelo; Dr. Casimiro de Morais Machado; Dr. Ramiro Salgado; Joaquim Rosendo; Dr. Cabral Adão; J. Rentes de Carvalho; Dr. João da Cruz Lopes; Luís Reina; Pinto da Costa, etc.

In:Para a história da Impresa de Trás-os Montes e Alto Douro

Joaquim Manuel Rebelo

quinta-feira, 6 de março de 2014

Ainda sobre as amêndoas cobertas de Moncorvo…

Arte ,Sabor e Douro.Foto L.b.
Desde que em 1886 apareceram na Exposição Universal de Paris e na Feira Internacional de Filadélfia, onde foram celebradas pela crítica da especialidade, [são os factos documentados], não mais deixaram de fazer parte da tradição doceira dos moncorvenses. Eram usadas como guloseima, na época pascal e nas boas bodas, embrulhadas em tule para oferta ou espalhadas pelas mesas para consumo imediato.
Apresentam-se no mercado em três tipos: «bicudas brancas» quando são só cobertas de açúcar, «morenas» se também levam chocolate e canela (ou só chocolate) e «peladinhas» quando o grão é revestido apenas por uma ligeiríssima camada de açúcar. Até há bem pouco tempo também se aproveitava alguma amêndoa amarga para cobrir, a «amara», que era utilizada para atenuar o efeito de uns "copitos a mais" (!).
Escalde os grãos, descasque-os e, em seguida, torre-os no forno em latas apropriadas. Finda esta operação, espalhe-os numa bacia de cobre redonda assente num alguidar de barro cheio de rescaldo e, pouco a pouco, remexa-os, cuidadosamente, com os dedos adedalados, regando-os de açúcar em ponto, com ou sem aromas, a intervalos de colheradas de sopa. Era assim que a minha tia Rosa - ilustre doceira moncorvense - as fazia. Os "confétis", os biquinhos que se partiam, ficavam para mim e para os meus companheiros. Que bem sabiam com uma golada de licor de canela! Até com aquela xaropada gaseificada – o pirolito, para o saque de mais um berlinde! [Diziam que o licor de canela da Ti Antoninha Biló era o melhor! Talvez!]
Fico-me por aqui... Antes que o aroma destas delícias inofensivas, destas doces delicadezas de sabor amendoado, desmoralizantes da lealdade fingida às dietas dos argumentos remendados, me activem imoderadamente a circulação e promovam apetites mais descuidados e bem mais ferozes.
António Monteiro
In:https://www.facebook.com/antonio.monteiro.140?fref=ts

ALFÂNDEGA DA FÉ - Março Mês do Teatro

ALFÂNDEGA DA FÉ – No mês em que se assinala o Dia Mundial do Teatro Alfândega da Fé celebra esta arte com a exibição de peças teatrais durante os últimos quatro domingos de março. Março mês do teatro- Festival de Teatro Clássico – traz ao palco da Casa da Cultura Mestre José Rodrigues quatro companhias com atores de todas as idades e de várias regiões do país.Com início a 9 de março, a iniciativa pretende homenagear o teatro de tema clássico. Aquele que é considerado como o pai do teatro Português, Gil Vicente, também não foi esquecido. Ao palco da Casa da Cultura vão subir duas peças da autoria de Gil Vicente, “Auto da Índia”, encenada pela Filandorra, de Vila Real, e “Farsa de Inês Pereira” pelo grupo de teatro de Alfândega da Fé, Tafé. Vão também a cena “Lisístrata” pela Thíasos, de Coimbra, e “Morgado de Fafe Amoroso” pela Alma de Ferro, grupo de teatro de Torre Moncorvo. 
Organizado pela Câmara Municipal, em colaboração com o grupo Thíasos no âmbito do FESTEA – Festival Internacional de Teatro de Tema Clássico, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, este evento assume-se como uma forma de promover e celebrar esta arte, permitindo aos munícipes um contacto direto com o teatro, ao mesmo tempo que se diversifica a oferta cultural existente. Para além disso, esta é também uma forma de dar a conhecer o trabalho realizado pela Escola Municipal de Teatro de Alfândega da Fé. O Festival conta com o envolvimento direto do Tafé. Trata-se do grupo de teatro que nasceu da atividade desta escola. Recorde-se que a Escola Municipal de Teatro nasceu há cerca de três anos e surgiu da vontade de recuperar a tradição da produção teatral no concelho e consequentemente formar o grupo de Teatro de Alfândega da Fé, ao mesmo tempo que se envolvem directamente os munícipes na vida cultural concelhia.
FONTE:http://local.pt/portugal/norte/marco-e-mes-de-teatro-em-alfandega-da-fe/

TORRE DE MONCORVO - IGREJA MATRIZ

Fotografia de José Rodrigues.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Confraria dos Enófilos e Gastrónomos de Trás-os-Montes e Alto Douro


AÇOREIRA - Matança do porco à moda antiga na Rota das Pipas


A manhã do passado sábado começou bem cedo em Açoreira, no concelho de Torre de Moncorvo. Pouco passava das oito e meia da manhã e já havia gente à espera para assistir à matança do porco.
O porco foi morto com a faca, chamuscado com palha e lavado com bocados de cortiça e um regador, tal como se fazia antigamente, antes de se usar os maçaricos e as mangueiras.
Entretanto, chegaram os gaiteiros de Mogadouro “Us do Copo” para animar o ambiente.
E enquanto uns assistiam à matança, outros andavam de volta dos potes de ferro a preparar o almoço para todos os presentes. A ementa é tradicional e muito apreciada pelas gentes de Açoreira. Barriga de porco guisada com batatas e migas de sarrabulho, carne dos porcos mortos de véspera. 
Enquanto os espectadores aguardavam pelo almoço iam bebendo vinho do porto caseiro, acompanhado do “Pão Moreno”, um bolo escuro feito à base de canela e aguardente, que é uma receita da Açoreira
“Aqui em Trás-os-Montes as pessoas apreciam muito este prato. Para sair na perfeição é preciso ter em conta o azeite, o alho, a cebola, salsa, louro, tomilho, a urze do monte ou então o alecrim. Outro truque é ser cozinhado nos potes de ferro, que dão outro sabor à comida”, desvenda o cozinheiro, Fernando Rodrigues.
Fonte: http://www.jornalnordeste.com/noticia.asp?idEdicao=515&id=19894&idSeccao=4623&Action=noticia#.Uxd0sfmqk2U

A amêndoa no Douro Superior

Já que estamos em época de amendoeira em flor, sabia que...

"A importância histórica da amêndoa no Douro Superior é tal, que podemos afirmar sem temor a engano, que não é por acaso que entre as primeiras evidências arqueológicas da presença da amendoeira em território nacional estejam hoje as do sítio do Prazo, na freguesia fozcoense de Freixo de Numão. Efectivamente, recentes estudos paleocarpológicos assinados por Sérgio Monteiro Rodrigues, Isabel Figueiral e José António López (2008), demonstram a existência de provas inequívocas da recolha da amêndoa amarga com propósitos eventualmente alimentares pelo menos desde os períodos Mesolítico e Neolítico (...)."

in A Cultura da Amêndoa no Douro Superior, Lois Ladra, Âncora Editora, 2013, p. 33

(obra à venda na Loja do Museu do Côa)
Fonte: https://www.facebook.com/museudocoa?ref=ts&fref=ts
O livro:http://lelodemoncorvo.blogspot.pt/search?q=lois+ladra

ALFÂNDEGA DA FÉ - Expedição regista para memória futura património submerso no Baixo Sabor

Um grupo de 15 desenhadores inicia nesta quarta-feira uma expedição de dois dias ao Baixo Sabor para registar para memória futura o património que a nova barragem irá submergir.
Nesta expedição serão elaborados desenhos da fauna, flora, paisagens e locais dos cerca de 50 quilómetros por onde se vai estender a albufeira da barragem do Baixo Sabor, em fase de conclusão, no sul do distrito de Bragança.
A iniciativa é do Grupo Risco, uma organização sem fins lucrativos, que irá realizar este trabalho não remunerado e oferecer os desenhos ao município de Alfândega da Fé, um dos concelhos da área de influência do empreendimento hidroeléctrico, segundo divulgou a autarquia local.
O Grupo do Risco desenvolve actividade no campo da ilustração científica, desde desenho, fotografia e vídeo, e é constituído por investigadores e ilustradores de áreas como a biologia, medicina, arqueologia, arquitectura,design, fotografia, entre outras.
Desde 2007 que organiza uma expedição anual a locais de interesse particular para desenho e trabalho de campo, em que se destacam as das Berlengas, Douro Internacional, Ria Formosa, Arrábida, Amazónia, Caramulo e Costa da Laurissilva na Ilha da Madeira.
O Baixo Sabor é agora o motivo da nova expedição de 15 elementos do grupo, que vão centrar-se na área submersa pela barragem, bem como outros pontos de interesse no concelho de Alfândega da Fé, como o Vale da Vilariça e a Serra de Bornes, e de outros concelhos vizinhos.
Todo o material publicado, resultante desta expedição, será posteriormente disponibilizado à Câmara Municipal de Alfândega da Fé, que entende esta iniciativa como “uma óptima forma de promover e divulgar traços identificativos do concelho, e de registar para memória futura alguns dos locais que vão ficar submersos pela Barragem do Baixo Sabor”.
De acordo com informação divulgada pela autarquia, o desenho constitui-se como denominador comum deste grupo de trabalho, cujos elementos foram reunidos nos últimos anos entre colaboradores e antigos alunos de Pedro Salgado, fundador do grupo e coordenador do projecto.
“A formação em desenho científico é, portanto, o tronco comum reunindo pessoas cuja actividade profissional se situa no campo das artes e das ciências”, acrescentou.
O nome “Grupo do Risco” é uma homenagem à Casa do Risco, escola setecentista do desenho científico português, situada no Jardim Botânico da Ajuda, em Lisboa.

FONTE: http://www.publico.pt/local/noticia/expedicao-regista-para-memoria-futura-patrimonio-submerso-no-baixo-sabor-1627113


terça-feira, 4 de março de 2014

HERÓIS À MODA DE TRÁS-OS-MONTES

O projecto literário é da autoria da editora Lugar da Palavra, que desde início do ano passado começou a lançar livros da colecção “Heróis à moda de…”. Sendo sobre a região transmontana, esta obra é constituída por “contos de humor, utilizando os regionalismos, gíria e expressões típicas/regionais de Trás-os-Montes”.

 Dos nove contos que figuram no livro, um deles é de José Dias Baptista, natural de Vila da Ponte, concelho de Montalegre. Junta-se a este autor barrosão, Ana Catarino (Santa Marta de Penaguião), Manuel António Araújo (Chaves), Nathalie Lopes (Chaves), Fernando de Castro Branco (Bragança), João Pinto Costa (Vila Real), Josefina Mourão (Bragança), Ana Zita Rocha (Bragança) e Manuel Cardoso (Macedo de Cavaleiros).
IN:https://www.facebook.com/pages/TR%C3%81S-OS-MONTES/134281359942423?fref=ts

MONCORVO - GASTRONOMIA


Cordeiros de raça mirandesa querem conquistar concelhos do Nordeste Transmontano

Esta raça de cordeiros só existe na região de Miranda do Douro
 
PAULO RICCA
 Esta raça autóctone ameaçada de extinção está confinado aos concelhos de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro.
Os criadores de cordeiros de Raça Churra Mirandesa pretendem alargar o campo de acção aos concelhos nordestinos para "potenciar" o valor económico desta raça autóctone e ao mesmo tempo motivar sectores como a restauração.
"Só no último ano foram escoadas mil carcaças de carne de cordeiro mirandês certificado. É um número relativamente pequeno, poderão pensar alguns, mas perante o efectivo total de que dispomos, começa a ser um trabalho que tem de ser aproveitado. Os nossos criadores sabem produzir bem, mas não sabem comercializar", disse à Lusa Pamela Raposo, secretária técnica da Associação de Criadores de Raça Churra Galega Mirandesa (ACRCGM).
Para produzir uma carne de "qualidade superior" há que ter em conta diversos factores como alimentação e o melhoramento animal, assim a ACRCGM, tem no terreno uma equipa de técnicos que são responsáveis para preservação da raça.
"Nós começámos com este trabalho em 1996, data em que a associação recebeu o Livro Genealógico, com a necessidade de preservar uma raça em vias de extinção apoiada por fundos europeus devido ao seu baixo números de efectivos e por ser um património cultural e natural, a conservar dentro do seu Solar", explicou a zootécnica.
Por cada fêmea adulta, há ajudas comunitárias que rondam os 45 euros/ano por animal, atribuído aos curadores por estarem a ajudar a conservar uma raça autóctone que está ameaçada de extinção.
"Os agricultores para poderem receber as ajudas comunitárias têm que cumprir com as normas do Livro Genealógico, estipuladas pela Direcção Geral de Alimentação e Veterinária ",explicou a técnica.
O solar desta raça autóctone ameaçada de extinção está confinado aos concelhos de Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro.
A criação de animais de raça Churra Mirandesa poderá ser "uma opção" para os produtores pecuários da região, com incidência nos mais jovens.
Os apreciadores de cordeiro mirandês afirmam que a carne do animal tem um sabor única devido à sua alimentação desde tenra idade.
Agora, será preciso dar passos em frente e comercializar o cordeiro mirandês em grande escala, para que os jovens agricultores se possam fixar à terra e ter condições para continuar a manutenção de uma raça autóctone que tem um efectivo que ronda os 6.500 animais.
O "cordeiro (canhono) mirandês", de raça Churra Galega Mirandesa divide-se em três categorias, consoante a idade e o peso, pesando as carcaças entre quatro e sete quilos na categoria A (30 dias de idade), entre 7,1 e 10 na B (60 dias) e de 10,1 a 12 na C (120 dias).
"Não posso dizer que tenho dificuldades em vender os animais. No entanto há anos melhores e outros piores. Mas uma coisa é certa actualmente é mais rentável criar estes animais que no passado, disse Maria Delgado, uma Criadora de Vale de Mira (Miranda do Douro).
Para conseguir entrar no circuito comercial, foi estabelecida uma parceria com Cooperativa Agropecuária Mirandesa, que já dispõem de um unidade industrial onde é possível fazer desmancha, embalamento e conservação das carcaças para assim a carne no mercado nacional e internacional já que há uma estrutura já montada, no concelho de Vimioso.
A Churracoop é a entidade responsável pela comercialização dos cordeiros provenientes de ovelhas de Raça Churra Mirandesa, que há cerca de 16 meses obtiveram a chancela atribuída pela União Europeia que confere a esta raça autóctone a certificação de Denominação de Origem Protegida (DOP), depois de concluído um processo que se arrastou ao longo de vários anos.

Agora, será preciso dar passos em frente e comercializar o cordeiro em grande escala, para que os jovens agricultores se possam fixar à terra e ter condições para continuar a manutenção de uma raça autóctone que tem um efectivo que ronda as 6500 fêmeas reprodutoras, repartidas por 61 criadores.

FONTE: http://www.publico.pt/local/noticia/cordeiros-de-raca-mirandesa-querem-conquistar-concelhos-do-nordeste-transmontano-1626885

segunda-feira, 3 de março de 2014

Etnografia Transmontana, por António Fontes (Padre)

Sinopse: O Barroso é ainda um dos lugares no qual podemos entregar o tempo à magia da memória do passado e às manifestações religiosas e profanas que continuam cimentadas no presente.
Neste primeiro volume, o percurso etnográfico revolve o fio à meada das crenças e tradições, perdidas e usadas, passando pelas sombras do diabo, mezinhas e bruxarias, definhando o aspecto lúdico do dia-a-dia até à santidade dos dias e suas festas, posfaciando na sabedoria popular cromatizada através dos ditos do povo.
«É por isso que subo nos outeiros e grito: vinde ver o mundo a acabar», apesar de ficar registado neste trabalho de campo a bom tempo.

Biografia: António Fontes nasceu em Cambeses do Rio, Montalegre, em Fevereiro de 1940.
Terminou o curso de Teologia no Seminário de Vila Real em Junho de 1962. Foi pároco, de 1963 a 1971, em Pitões das Júnias e Tourém e, de 1966 a 1971, em Covelães. É actualmente, e desde 1971, padre nas freguesias de Mourilhe, Meixide, Soutelinho da Raia e Vilar de Perdizes, no concelho de Montalegre.
Fundou o jornal Notícias de Barroso. Licenciado em História pela Universidade do Porto, é autor de vários trabalhos de recolha etnográfica e investigação nas áreas de Antropologia, Arquitectura, Etnografia e Música. Organizou a representação de «O Auto da Paixão» e vários congressos internacionais: Arquitectura Popular, Caminhos de Santiago, História Medieval. Organiza, desde 1983, os Congressos de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, que anualmente levam a esta aldeia do concelho de Montalegre milhares de participantes.
Está representado nas seguintes antologias: As Chegas de Bois (organizador), Trás-os-Montes e Alto Douro e Da Literatura Popular à Literatura Infantil. É autor das obras Etnografia TransmontanaOs Chás dos Congressos de Vilar de PerdizesAras Romanas e Terras de Barroso Desaparecidas, e co-autor de vários títulos, nomeadamente Medicina PopularMitos, Crenzas e Costumes da Raia SecaMisarela – A Ponte do Diabo.

Prefácio

Não sei se haverá alguém que tanto como António Lourenço Fontes tenha chamado a atenção dos portugueses e dos estudiosos de outras nacionalidades para as características, por vezes bem singulares, da cultura barrosã. Através dos livros, do seu jornal Notícias de Barroso, de conferências e entrevistas, dentro e fora do país, de colaboração em filmes, de uma vida paroquial aberta ao meio, do seu trabalho de assessor cultural na Câmara Municipal de Montalegre, de numerosas acções de animação e estudo, nos domínios do artesanato, das tradições, de tudo o que é propriamente popular, trate-se de jogos, arquitectura, teatro, religiosidade ou medicina, tem ele conseguido atrair a curiosidade, o carinho e admiração de muita gente pela sua terra, que até ali vai de longada, pondo olhos e ouvidos nas coisas, não raro embevecidamente.
«Entre quem é» – diz ele, se lhe batem à porta da residência de Vilar de Perdizes, uma construção tipicamente transmontana, logo franqueando aos olhos ávidos de repasto cultural salas e saletas, quartos, cozinhas e lojas, tudo abundantemente guarnecido, abarrotado de livros e cadernos, documentos de vária origem como estatuetas, quadros, peças de artesanato e outras relíquias. Naquela casa tinha vivido o Padre Domingos Barroso, um homem tão devoto dos santos como dos encantos da sua terra e que era especialmente versado em matéria de cinegética. Tanto ele constituiu para António Lourenço Fontes uma sombra tutelar que diligenciou para que no largo fronteiro lhe fosse erguido um monumento. Lá está, bem significativo na sua simplicidade. Desse sacerdote não recebeu, porém, mais do que um incentivo. A pesquisa e a recolha sistemática de mitos e ritos, usos e tradições, que dão um rosto à gente barrosã, estavam ainda por fazer.
Escreve neste livro: «Metia-me medo, por não haver quase nada escrito sobre tudo isto, que foi para mim floresta virgem que tive de explorar.» E a verdade é que explorou, sem bravatas, antes com uma paciência modesta, como é aliás do seu temperamento. Menos preocupado com desenvolvimentos
teóricos e questões taxinómicas do que com o registo atento, tanto quanto possível cingido ao essencial e praticado à luz e segundo a ordem da experiência, com o sacrifício de certo arrumo, acabou por nos deixar um trabalho que fascina pelo despretensiosismo e pelo toque certeiro no que os etnólogos consideram imprescindível e fundamental para as suas teses mais engenhosamente concebidas, ainda que por vezes marcadamente subjectivas e especulativas e, por isso, discutíveis, neste jogo de esquivanças e probabilidades que é o real para toda a ciência.

O campo de observação de António Lourenço Fontes é o da etnografia, no sentido em que C. Levi-Strauss a definiu: «A etnografia consiste na observação e na análise de grupos humanos considerados na sua particularidade e visando a reconstituição, tão fiel quanto possível, da vida de cada um deles.» Retratar e biografar o povo de Barroso foi essa a intenção de António Lourenço Fontes, como transparece do plano traçado para cuja execução trabalhou, «sabe Deus com que dificuldades». Mas as monografias comportam sempre riscos de efectualidade, mesmo tendo em conta o bom senso e a argúcia do critério adoptado, a dedicação e a vantagem de pesquisar a partir de dentro, como é o caso, dado que o autor nasceu no coração de Barroso, onde após os seus cursos em Vila Real e no Porto continuou a viver. Outros etnógrafos tiveram de suportar dificuldades de aceitação pelas comunidades visadas, como sucedeu por exemplo a Malinowski na Melanésia.
Um risco etnográfico é o que se prende com problemas de diacronia e dialéctica. Toda a descrição nesta matéria é selectiva e deixa pressuposta uma teoria, por mais geral que ela seja. Ora, quanto a isto, o primeiro obstáculo a transpor é o de conferir o grau de actualidade ou não de um fenómeno, os factores e o processo da sua evolução e ainda o que há nele de núcleo permanente, com relevo para os vectores de articulação com os outros fenómenos da mesma estrutura ou sistema. António Lourenço Fontes tem consciência disso, expressando a vontade de «recordar tanto as tradições vivas, como as que já morreram»; e em algumas páginas caracteriza «o homem barrosão e o seu feitio», o que não o impede de adoptar seguidamente o método cumulativo, mais de acordo com o retrato do que com a biografia, resultando assim um painel de cromatismos insinuantes, como se o papel deste etnógrafo fosse o de coleccionar revérberos. É um caminho, entre outros, que deixa por apreender o que no fundo é inapreensível, isto é, o espaço de instabilidade latejante que se situa, relativamente a um costume, a meio caminho do que foi e do que é – um espaço onde pulsam determinações endógenas e exógenas cuja fixação descritiva é uma aventura, a menos que do facto social se persiga uma visão hipotético-dedutiva, atenta às formas globalizantes, muito em conformidade com o método estruturalista. A este método porém, que conduz a uma ciência de rigor, escapam os conteúdos vivos, a mobilidade quer ontológica quer factual do ser, tendo-se como certo que a observação e a theoria realizadas a partir do exterior são sempre neste aspecto ou naquele algo deformantes. E daí que o formalismo estruturalista se venha considerando ultrapassado.
António Lourenço Fontes opta pelo registo directo e breve, sem outro
enquadramento pontual que não seja o decorrente da localização e o de encostar uns aos outros os factos mais semelhantes entre si, segundo uma concepção da etnografia tradicional. Certo. O leitor e o antropólogo ficam naturalmente
satisfeitos com a oferta de textos puros, lavados: que sejam um e outro a operar induções e deduções. Como se dissesse: o povo de Barroso é mais ou menos assim, nos domínios que investiguei; façam agora o favor de comparar e tirar conclusões. Nem sequer, como acontece com «o direito sobre as moças da terra» e as «chegas», ele nos diz claramente até que ponto o costume persiste na forma apresentada ou como possivelmente evoluiu e por que motivos. Como se também nos quisesse dizer: em Barroso foi ou é assim; venham cá e vejam como as coisas, apesar de inevitáveis transculturações, ainda conservam peculiaridades que as identificam e nos identificam.

O que em toda esta obra se subentende não é difícil de perceber, se nos ativermos a afirmações vigorosas como esta: «O homem transforma o ambiente, mas deixa-se impressionar fundamente por ele.» Barroso tem uma configuração geográfica, um clima, um modo de ser, um estar longe de tudo menos de si, uma história cerzida de tradições tão enraizadas na memória e na vida que, mau grado os ventos desculturantes que sopram de várias direcções, irá manter a sua identidade cultural. Identidade para já bem patente naquilo a que Kardiner chama «personalidade de base, comum a todos os barrosões, onde quer que se encontrem, um suplemento de alma que dá vida a estes dois livros, em que se abre uma consciência generosa, a ser ouvida não só pelos seus conterrâneos, mas por quantos assumem a cultura como um dos valores mais preciosos do existir, cépticos felizmente em relação à exclusiva via economicista da paz e da felicidade. Em livros assim tocam os sinos a rebate.

António Cabral


Amendoeiras em Flor- RAID TT,por Terras de Moncorvo

Carta de itinerário (Roadbook) + Paragem a meio da manhã para um pequeno-almoço reforçado c/ matança do porco no largo do Pelourinho da Antiga Villa medieval de Mós, concelho de Torre de Moncorvo+ Almoço será servido ao ar livre, durante o percurso, na Sta Bárbara de Mós onde serão servidos pratos da Matança com o acompanhamento dos excelentes vinhos do Douro+ Jantar Convívio na N. Sra. do Amparo no Felgar, onde serão servidos pratos com o borrego Terrincho com o acompanhamento dos excelentes vinhos do Douro + seguros (responsabilidade civil e de acidentes pessoais) + lembranças + surpresas = 35€ / pessoa...

ALFÂNDEGA DA FÉ - Sabor a história


Nordeste Transmontano - Património Imaterial do mundo rural

Fotografia cedida pela Dona Auréria Sendas

domingo, 2 de março de 2014

TERRAS DE MIRANDA - Castração de Asininos

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A crescente diversidade de utilizações dadas aos burros – que vão da terapia ao ensino, passando pelo lazer e, tão simplesmente, pela companhia - obriga a que o temperamento destes animais seja o mais dócil possível, para que possam desempenhar as tarefas que lhes estão destinadas, o que nem sempre é fácil, particularmente em machos reprodutores, cuja natureza muitas vezes dificulta o maneio e põe em causa não só os objectivos propostos mas também a segurança do próprio animal, de outros da mesma espécie e dos seres humanos em redor.
Além disso, os burros castrados podem ser soltos no pasto juntamente com outros animais, sem que haja grandes problemas de agressão, proporcionando-lhes a oportunidade de socializarem e realizar exercício físico, ao ar livre. Acresce ainda a vantagem de se eliminarem todos os problemas associados à patologia testicular, como traumatismos, tumores ou torções do cordão espermático.

Assim, e não desconsiderando a função de reprodução indispensável para a preservação da espécie e para o desenvolvimento da raça asinina de Miranda, a castração assume-se como um procedimento essencial, não só para garantir o bem-estar dos animais, mas também para melhorar a conservação e gestão da raça.
Nesse sentido e após o sucesso de anteriores edições, a AEPGA organiza o VI Workshop de Castração de Asininos, nos dias 8 e 9 de Março, no Centro de Valorização do Burro de Miranda, situado na aldeia de Atenor.

Este curso direcciona-se a todos os estudantes de medicina veterinária e médicos veterinários que pretendam experimentar e familiarizar-se com a castração de asininos em condições de campo. E ainda a todos os estudantes de enfermagem veterinária e enfermeiros veterinários que ambicionem familiarizar-se com anestesia em condições de campo e com o apoio a esta técnica cirúrgica. Todos os participantes terão a oportunidade de pôr esses mesmos conhecimentos em prática.

Para mais informações, por favor contacte-nos 96 6151131 ou para o 
burranco@gmail.com.

PROGRAMA

Sábado, dia 8 de Março de 2014
Aldeia de Atenor - Centro de Valorização do Burro de Miranda

Camané e uma estorinha que aconteceu...

Vou contar uma estorinha que aconteceu na semana passada com o Director da Escola Municipal Sabor & Arte de Torre de Moncorvo. Conhecemo-nos precisamente nesse dia.
Mas agora reparo que tenho de começar pelo princípio e que já remonta a uns tempos atrás. Comecei a fazer teatro amador precisamente há 5 anos. Nunca tinha pisado um palco.  A primeira vez foi com uma peça do Dr. Manuel Daniel de Vila Nova de FozCoa : “Um Auto de Natal”  Encarnei o papel  de Diabo “maior”, o Belzebu. Estava muito nervoso, o que não seria de estranhar, mas lembro-me  perfeitamente desse dia e dos que antecederam a estreia dessa excelente peça.
E agora volto a reparar que ainda tenho de acrescentar outra coisa antes de começar a prometida narrativa. (Se calhar, isto de contar estórias não é tão fácil como parece ... )
Devo explicar que nunca fui pessoa de desistir às primeiras. Mergulho de cabeça e enfrento as dificuldades, pois aprendi que para desempenhar um papel, não basta ler a peça: é preciso ler várias outras coisas em que nunca havia pensado e estudar muito a sério. E o mermo se passa na vida.
A esse “Auto de Natal” outras peças se seguiram e as personagens sucediam-se, todas diferentes, umas  bem complexas  outras nem tanto . Confesso que o papel de vilão, azedo e rabugento me encaixa na perfeição e as acções de formação em que o Grupo de Teatro Alma de Ferro de Torre de Moncorvo  tem participado, bem como a  amizade no grupo e novas amizades que se estabelecem,  têm-me  ajudado imenso.
É entre amigos, nos cafés ou noutro lugar qualquer, que vou procedendo à construção das minhas personagens: uma ou outra frase desta ou daquela personagem é deitada cá para fora nessas conversas da treta, sem que os meus amigos de tal se apercebam. Se as falas se tornarem convincentes e se a personagem ganhar vida própria, será assim que a encarnarei no palco .
Pois agora começa a estórinha que vos quero contar .
Na próxima peça vou desempenhar o papel de Heitor Falcão, de “O Morgade de Fafe Amoroso” de Camilo Castelo Branco. Fidalgo minhoto, senhor do seu nariz e controlador da sua única filha, a personagem já está construída. Aconteceu numa conversa de acaso na semana passada,
Fui ter com o meu amigo Beto Mesquita que estava acompanhado pelo Director da Escola Municipal Sabor&Arte de Moncorvo. Cumprimentei o meu amigo, saiu-me uma frase do Heitor Falcão, e começou o diálogo seguinte:
--- Quero falar com você.
 O Beto Mesquita encolheu os ombros.
----- Diga a esse Borra-Botas que sou homem para lhe arrancar a culatra pelas costas, ouviu ? --- disse eu.
---- Mas que se passa? --- disse o Beto Mesquita ----  Não sei de nada.
Entretanto, o Director da Escola Municipal Sabor & Arte, que não me conhecia de lado nenhum, estava estupefacto com aquele início de conversa.
Eu continuei, agora virado de frente para ele:---- És tu que andas com a minha filha.
---- Mas eu não conheço a sua filha.
--- Tu estás a gozar comigo ou quê? --- disse eu, (Heitor Falcão), já enfurecido. 
---- Palavra que eu não o conheço, nem a si nem à sua filha.
---- Se tornas a bulir na minha filha, mando-te quebrar o espinhaço, estás a ouvir-me ou não?
O rapaz, depois de ouvir tais desaforos , deve ter pensado que eu era doido varrido, e toca de se escapulir, no que só foi travado pelo riso do meu amigo Beto  que o chamou e lhe contou quem eu era. Rimos todos com gosto.
Fiquei radiante: a personagem estava construída.

NOTA -- Quero realçar os elementos que  compõem este grupo fabuloso que dá pelo nome de  Grupo de Teatro Alma de Ferro de Torre de Moncorvo, Beto Mesquita, Fernando Barreto, Nela Costa, Esperança Moreno, Daniela Serra, Américo Monteiro, Luis Pires, Paulo Medeiros, Mizé Camelo, João Almeida, José Sá, Paulo Maximino, Zé Rachado, Marilú Brito, São Lemos .


1 de Março de 2014

Camané contou e escreveu; Júlia Ribeiro aplaudiu.

sábado, 1 de março de 2014

Moncorvo - Doces de amêndoa

Fabrico da Flormêndoa.Vendidos na Arte Sabor e Douro. 

Contas que minha mãe me contava…, de António Cangueiro, com ilustrações de Sara Cangueiro.

Resumo: Esta obra regista um conjunto de contos e orações que António Cangueiro ouvia da mãe, Maria Joaquina Garcia, na infância. De origens humildes, o autor, pais e irmãos viviam com poucos recursos, numa casa pequena, «mas morava lá muito riso e alegria. Cantava-se e contavam-se muitas histórias.» São essas recordações, esse património imaterial, que o autor reúne neste livro: «Tantas vezes me estribei nestas histórias para viajar na minha imaginação... Viajei no mar que nunca tinha visto e que mais tarde experimentei de profissão, marinheiro fui, e senti o furor das suas ondas. História onde apurei os sentidos para a humanização ou malvadez da condição humana. […] Rezar era conversar com quem te suavizava as agruras da vida e Deus acalmava os teus medos e tuas ansiedades. As trovoadas amedrontavam-te e logo ouvido o primeiro trovão ou visto o primeiro relistro, a candeia do azeite acendias, o postigo quase cerravas para a luz não entrar com tanta vontade, ajoelhavas-te e começavas a rezar: “Santa Bárbara Bendita que no céu está escrita…”»

António Cangueiro nasceu a 30 Abril de1957, na freguesia de Bemposta, concelho de Mogadouro, onde viveu até aos 21 anos.
Em 1978 é incorporado na Marinha de Guerra Portuguesa. Cumpre o serviço militar obrigatório de 2 anos na especialidade de comunicações. Em 1981, após frequentar o Curso Complementar de Comunicações, ingressa nos Quadros Permanentes da Marinha. Prestou serviço em várias unidades em terra e navais. Mantém-se ao serviço até 2003.
Em 2005, licenciou-se em Controlo Financeiro pelo ISCAL – Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa.
Traduziu, em colaboração, da língua mirandesa para português, a obra poética de Fracisco Niebro Ars Vivendi Ars Moriendi e, de português para mirandês, o álbum de banda desenhada de José Ruy João de Deus – A Magia das Letras.

Maria Joaquina Garcia, doméstica, nasceu a 4 de Março de 1925, na freguesia de Bemposta, concelho de Mogadouro, filha de Carlos Garcia e Teresa Benito Montes.
Casou a 14 de Setembro de 1946 com José Cangueiro, sapateiro.
Tiveram três filhos, Francisco, António e Emília.

MEMÓRIAS ARQUEOLÓGICO-HISTÓRICAS DO DISTRITO DE BRAGANÇA, por Abade de Baçal- TOMO IV