segunda-feira, 22 de abril de 2013

TORRE DE MONCORVO - Vista geral


TORRE DE MONCORVO - 25 DE ABRIL


Feiticeiras da Eucísia



- Há nesta povoação uma particularidade bastante curiosa que deriva da seguinte lenda:
No tempo em que a Eucisia pertencia ao arcebispado de Braga, costumava ir ali um pa-
dre, que era do Minho, visitar a igreja e ver se havia  falta de paramentos,etc.
Uma vez, hospedado  em casa de família que o recebeu bem,
com boa ceia e boa pinga, não do verde a que ele estava acostumado,o vinho principiou a surtir os seus efeitos,quando já se encontrava  o nosso padre no quarto-para  se deitar,mas
precisando satisfazer a certas necessidades fisiológicas entrou para a cavalariça aonde lhe
tinham recolhido a montada. Porém, o efeito dos vapores do álcool  subiram a tal ponto que o padre lá ficou até ao dia seguinte;sendo ali encontrado e perguntando-se-lhe a causa de tal facto,respondeu que se havia deitado na cama,e se estava  naquele sitio  é porque tinha sido levado pelas teitíceiras e que contra elas era bom usar trovisco
Eis ,o motivo porque a povoação da Eucisia é chamada a terra das feiticeiras e corre grave
risco quem ali vá com ramo de trovisco no chapéu.
In MONOGRAFIA DO CONCELHO DE ALFÂNDEGA DA FÉ, de João Batista Vilares 

Nota de editor:Este depoimento é um excerto do projecto “Gentes de Alfândega - Memórias”, desenvolvido pelo Município de Alfândega da Fé.

Imensa vastidão,por Armando Sena











A minha mais recente incursão por terras moncorvenses, não foi a fugaz descida pela ondulante estrada que passa em Cabeça Boa, rumo à Foz do Sabor. Não, desta vez foi feita por IC’s e IP’s que a evolução tem destas coisas e, mesmo sendo mais rápida, levou-me a fazer o dobro dos quilómetros. Ironias do progresso!

A entrada pelo vale da Vilariça, em inícios de Primavera, abre uma janela de cores e paisagens que aguça o apetite e é já uma premonição do que há-de vir.
Cruzam-se obras notáveis, os tais investimentos no interior que deixarão marcas, para o bem e para o mal e atinge-se o objetivo ao fim da manhã de um dia chuvoso, localizado a meio de uma encosta íngreme: Torre do Moncorvo. Haverá por certo gente mais habilitada para justificar a sua localização na encosta, eu, como simples visitante, presumo que seja uma consequência do valor que se dava outrora aos bons terrenos de cultivo, os quais não eram usados com outros fins que não os primários: produzir alimentos. 
Apesar da riqueza e preservação arquitetónica da vila, tomei como adquirido que o concelho não se limitava à zona urbana, seria muito mais do que isso. E, confirmei mais tarde que tal é uma realidade.
Vindo de Barca de Alva para terras moncorvenses, percorre-se uma estrada que é ela própria um miradouro constante, uma janela sobre o Douro, um paraíso praticamente intacto. Descobre-se ainda que o concelho é um conjunto de vários “mundos” onde, depois da vinha, existe o castanheiro e entre a horta e o olival existe um infinito naipe de variedades naturais alicerçado na sua maior riqueza, os MONCORVENSES.   

Fotos e texto de Armando Sena

Rio Douro - Imensa vastidão

                                                     FOTO DE ARMANDO SENA

domingo, 21 de abril de 2013

ALFÂNDEGA DA FÉ - Seminário Apícola da Terra Quente


Foz Côa: Emprego e salvaguarda do património rupestre preocupam trabalhadores do Vale do Côa


Os 37 trabalhadores da Fundação Côa Parque alertam para a degradação da sua situação laboral, exigindo que Estado acate com as suas obrigações de preservar o património rupestre daquela região, que é património mundial.
 "Os cortes de 30% anunciados pelo Governo colocam em causa a salvaguarda do património arqueológico do Vale do Côa, que é Património Mundial da Humanidade, para além de colocarem em risco mais de uma dezena de postos de trabalho", avançou José Branquinho, representante da Comissão de Trabalhadores da Fundação Côa Parque.
A Comissão de Trabalhadores, acusa igualmente o Governo de não ter uma estratégia cultural para salvaguardar o património arquitetónico e arqueológico.
A Côa Parque - Fundação para a Salvaguarda e Valorização do Vale do Côa, foi constituída em março de 2011, depois de extinto o Parque Arqueológico do Vale do Côa.

Estevais da Vilariça -Fragada


sábado, 20 de abril de 2013

Arqueologia: Novos achados "únicos" no Baixo Sabor


As investigações arqueológicas que estão a decorrer há dois anos na região do Baixo Sabor trouxeram aos olhos dos especialistas achados "únicos" em toda a Península Ibérica. As descobertas foram apresentadas durante o 1º Encontro de Arqueologia, que decorreu esta sexta-feira na vila transmontana de Mogadouro e contou com especialistas e professores universitários.
Medal.  Foto A.F.F.M.
"Estamos a terminar os trabalhos de campo que abrangeram mais de uma centena de sítios arqueológicos com uma cronologia estabelecida entre o Paleolítico Inferior e a Idade Moderna", contou à agência Lusa a arqueóloga Rita Gaspar, do Agrupamento de Empresas do Baixo Sabor.
De acordo com a cientista existem três sítios "excecionais" no Vale do Sabor, em que a intervenção será prolongada por mais uns meses, e outros onde os trabalhos já estão praticamente concluídos e em que as equipas já estão a desmobilizar.
Crestelos. Foto A.F.F.M.
Entre os pontos de interesse, desvendou Rita Gaspar, está um local situado na foz da ribeira do Medal, freguesia de Meirinhos, concelho de Mogadouro, onde foram descobertas milhares de placas de pedras com gravuras de "arte rupestre móvel".
Os arqueólogos afirmam que se trata de uma área que ultrapassa os 400 metros quadrados e que tem vindo a revelar-se um importante ponto arqueológico do Paleolítico Superior na Península Ibérica.
"Esta é, atualmente, a maior escavação do Paleolítico Superior em Portugal, num contexto de arte rupestre móvel, sendo a única do seu género ao ar livre na Península Ibérica. Muito poucas na Europa têm mais de 300 mil peças para serem estudadas", revelou a arqueóloga.
Outro dos locais mais importantes para os investigadores é o Sítio de Crestelos, também no concelho de Mogadouro, que atesta a existência de uma ocupação "contínua" de mais de dois milhões de anos.
"Aqui descobrimos estruturas da Idade do Ferro que ainda não foram encontradas em outros pontos da região", destacou Rita Gaspar, que acrescentou que "todo o material recolhido nos sítios arqueológicos está a ser analisado" nos laboratórios "e compilado para, no fim, ser publicada uma monografia", o que deverá acontecer, "ao que tudo indica, em 2014/2015".

2.300 sítios arqueológicos já sinalizados
Antes do início das obras de construção da barragem do Baixo Sabor, os especialistas tinham sinalizados 300 sítios arqueológicos. Depois destes trabalhos, o número "saltou" para os 2.300, o que, segundo Rita Gaspar, se traduz "num enorme incremento nos trabalhos arqueológicos", com uma grande concentração de meios humanos e materiais, "que deu frutos fabulosos".
A especialista salientou, portanto, que, no decurso dos trabalhos arqueológicos, todas as expetativas "foram ultrapassadas" na região do Vale do Sabor.
De realçar que os trabalhos estão a decorrer na área da albufeira que abrange os quatro concelhos da região do Baixo Sabor (Mogadouro, Macedo de Cavaleiros, Alfandega da Fé e Torre de Moncorvo), que ficará submersa aquando do enchimento da albufeira da barragem do Baixo Sabor, programado para 2013.
Sábado, 20 de Abril de 2013 


VALES - Primavera

      Foto  A.F.F.M.

 Plantação de espécies arbustivas e herbáceas assinala Semana da Primavera Biológica em Torre de Moncorvo


No âmbito da Semana da Primavera Biológica decorreu no dia 13 de Abril, Sábado, uma atividade de plantação de espécies arbustivas e herbáceas junto ao Estádio Eng.º José Aires.
Presentes estiveram mais de 80 participantes entre eles o Grupo de Escuteiros de Moncorvo, a Fundação Francisco Meireles e o público em geral.
A atividade teve início com uma breve explicação pela Vereadora dos Espaços Verdes do Município, Engª Alexandra Sá, sobre a Semana da Primavera Biológica, “Movimento Plantar Portugal”, importância da reciclagem e prevenção de resíduos e sobre a plantação que se iria ter lugar.
Os participantes, depois de divididos em três grupos, com o apoio dos jardineiros do Município iniciaram as plantações. No final todos tiveram direito a um lanche e um kit para compostagem doméstica.
Com esta iniciativa pretendeu-se a celebrar a entrada na primavera e sensibilizar a população para a necessidade de adotar estilos de vila mais saudáveis.

PAULITEIROS DE MIRANDA NO BAHREI ,por Rui Eduardo


 
PAULITEIROS DE MIRANDA
NA ABERTURA DO GRANDE PRÉMIO DE FORMULA 1
DO BAHREIN
 
 

L Médio Ouriente recebiu l Grande Prémio de Formula 1 ne l Circuito Anternacional de l Bahrein i acuolhiu tamien un de ls Grupos de Pauliteiros de l Praino Mirandés, custituido por bários eilemientos cun raízes ne l Praino, defensores de la magnificéncia Etnográfica Pertuesa. Na bagaige i ne ls basos custritores carregórun cultura i tradiçon Pertuesa – trajes, saias, chapéus, lhenços, tambores, gaitas-de-foles, fraitas pastoris, castanhuolas, bombos, laços de dança i la segunda lhéngua oufecial pertuesa, l Mirandés. Todo esto costurado a mano i rendilhado cula alma.

Foz Còa - Muros e paredes













     FOTOS A.F.F.M.

MONCORVENSES DA DIÁSPORA -A minha amiga Luci,por Júlia Ribeiro

Há quase três anos, mais especificamente  no dia 22 de Agosto de 2010, escrevi um texto sobre a nossa conterrânea Maria Lucinda Manso Antunes.
Nascida e criada em Moncorvo,  a sua vida de luta, de coragem e de muitas vitórias, faz-nos ter orgulho nela, como pessoa e nas suas conquistas,  como empresária de sucesso.
Ia modificar o texto, mas tendo-o lido novamente, decidi mantê-lo  como o escrevi em 2010. Aqui está:
Uma amiga minha, a minha melhor amiga dos tempos de meninice e adolescência é, tal como tantos de nós, uma moncorvense da Diáspora.
Penso que terá saído de Moncorvo com os pais, pelos 15/16 anos. Licenciou-se na Faculdade de Letras do Porto em Línguas e Literaturas Modernas (Português e Francês, se não estou em erro).
Era ( é ) inteligente e bonita. ” Graciosa” lhe chamava o Dr. Ramiro Ralgado. Nem sempre muito aplicada...
Casou muito novinha. Mas a vida, de vez em quando, encarrega-se de nos dar umas sapatadas valentes. Após dois ou três anos de felicidade, a minha amiga e o marido tiveram um acidente medonho e, em segundos, tudo mudou: o marido morrera e ela estava gravemente ferida. Era ainda tão nova! E com dois filhos pequeninos. Mãe-viúva, mãe-menina, mãe-coragem.
O trágico golpe não a vergou. Ergueu-se e, com um esforço de alma e coração, tomou as rédeas da vida nas mãos e conduziu-a sem um desalento. ( Parece-me até que ainda não afrouxou ). Nem ela sabe onde foi buscar tanta força. Sabemos que venceu e é hoje a grande empresária de que atrás falei. O que não é fácil neste país e muito menos no caso de uma mulher. Aqui a vemos,  mais uma vez premiada e com grande mérito.Apresento-vos a minha amiga Luci, também cozinheira de alto gabarito, com belíssima obra publicada.Hoje, no mundo empresarial é conhecida como Maria Lucinda Tavares da Silva, pois adoptou para sempre o nome do pai dos seus filhos . 
22 de Agosto de 2010 / Leiria, 19 de Abril de 2013                                  
Um grande abraço, Mulher lutadora.
Júlia
Cerebrum | Produto do Ano 
A gama cerebrum®, da Natiris, foi considerada pelos consumidores a gama mais inovadora, na categoria suplementos cerebrais. O cerebrum pretende estimular as capacidades cerebrais, através de abordagens multidisciplinares e polivalentes, capazes de responder às diferentes necessidades de cada indivíduo.
A gama de suplementos naturais de alto rendimento cerebrum® apresenta assim um posicionamento diferencial, que oferece respostas completas e especializadas por função, finalidade e grupo etário.
O “produto do ano” leva a cabo anualmente um estudo onde os consumidores elegem, mediante voto direto, os produtos de consumo mais inovadores do ano. A gama cerebrum® foi eleita pelos consumidores “produto do ano”.
                              Da esquerda para a direita: a moncorvense Lucinda é a segunda .


sexta-feira, 19 de abril de 2013

FREIXO DE NUMÃO - Património


CARVIÇAIS - POR ONZE CASTANHAS

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Postado em 17/05/12

PASSEIO PEDONAL - MONCORVO


Rio Sabor - região de Moncorvo











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Junto ao velho paredão, perto da Quinta das Laranjeiras.

DIA DIOCESANO DA JUVENTUDE

Programa Oficial:

9.30h - Acolhimento no Cruzamento (localização em cima)
10h - Começa a Peregrinação que acabará no Santuário de N. Sra. da Assunção de Vilas Boas, onde teremos o nosso plenário.
12h - Teremos a nossa Eucaristia, presidida pelo nosso Bispo, D. José Cordeiro e animada pelos Convivas Fraternos!
13h - Almoço (cada grupo ficará responsável pelo seu!)
14.30h - Começará a nossa tarde cultural. Teremos o espectáculo pelo Grupo ALMA e pela Banda D. Sebastião. Será certamente uma grande animação.
17.30h - Envio.


http://www.facebook.com/events/295300597269892/?notif_t=plan_user_invited

quinta-feira, 18 de abril de 2013

25 de Abril em Torre de Moncorvo


"A flor da Liberdade" ,realizado por Júlia Ribeiro


A mão que embala o berço,por Armando Sena



Lembro-me de um filme premiado, com este título.
Foi exatamente o que me ocorreu para intitular tão hábeis mãos que conduzem uma dança inigualável produzindo delícias que já não se usam.
Não são daquelas que se compram em embalagens luxuriantes que entram olhos dentro e depois, depois de “saboreada” a embalagem, o conteúdo sabe a pouco mais do que um logro. Não, estas não enganam, saltam à vista no saber de quem as faz, o aroma entranha-se-nos logo e, não sendo a embalagem luxuriante, o conteúdo possui um sabor inesquecível.
Saem das mãos das Cobrideiras, com o ouro que brota das amendoeiras, fruto do inclemente sol transmontano.
Quem sabe se o minério de Torre de Moncorvo não está dentro destas embalagens?
Armando Sena


Bruçó - de Paraíso da Pesca ao Inferno

Não há fome que não dê em fartura, mas neste caso é o inverso não há fartura que não de em fome!
Bruçó-Mogadouro local magnifico de pesca, que durante os últimos anos nos vinha fazendo querer pescar e pescar sem parar, tal a quantidade tal a variedade de espécies e seus tamanhos. 
Em apenas um ano e pouco tudo mudou, as grades acumulam-se tanto como as redes quase "encavalitadas" umas nas outras que se vêm da margem, a pesca profissional tudo levou, quando digo tudo é mesmo tudo é que nem uma simples perca ou alburno se vê, carpas e barbos são tão impossíveis como a melhora da economia nacional !
Ficam as lembranças na memória e em fotos como já postadas no blog.http://www.meumundodapesca.com/2013/04/bruco-de-paraiso-da-pesca-ao-inferno.html

P.S: Caso alguém tenha histórias recentes de pescarias por Bruçó recentes e como bons resultados ( nem que seja um peixe) diga.
Texto e foto de Francisco Morais

                                          

ESTEVAIS DA VILARIÇA

Foto A.F.F.M.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

MOGADOURO - I Encontro de Arqueologia


VIAGENS III,por Júlia Ribeiro

Gare de l'Est Paris

Dia 2 de Agosto. Pelas 13 horas recomeça a viagem: Hendaye – Paris – Heidelberg . Santo Deus, ainda falta uma tarde de calor infernal e uma noite inteira de cansaço, de vários e variados modos de ressonar e de diversos cheiros de suor, pois a água já faltara nas torneiras dos WC. Em Hendaye todo o pessoal comprou dúzias de garrafas de água.
Abreviando: a meio da noite, ensonada, dei conta que pessoas saiam e outras entravam. No exíguo espaço a que estava confinada, tentei arranjar posição para continuar a dormir. Mas tive um pesadelo horrível: uma pedra enorme havia-me caído sobre o peito e estava a sufocar. Consegui acordar dando um safanão, o meu pai pergunta “o que foi? ” , “ Não consigo respirar” , alguém acende a luz e vimos que o meu parceiro da frente tinha posto um pé sobre o meu peito. O meu pai levantou-se furioso e foi tirar-lhe o pezunho de cima de mim. Então não é que o fulano tinha o pé e a perna engessados? Aquilo devia pesar uns cem quilos! Foi mesmo um senhor pesadelo!
Heidelberg
Chegados à Gare de Austerlitz na manhã de dia 3, foi uma corrida de táxi para a Gare de l’Est: o meu pai, eu, o rapaz alemão e um emigrante nosso que trabalhava em Mannheim. Pelo meio dia estávamos em Heidelberg. Era um Sábado. Fomos deixar as malas na casa da família alemã que me estava destinada, e aproveitar para, finalmente, tomar banho. Portanto Sábado e Domingo fomos turistas.
Segunda-feira, dia 5 de Agosto, fui à secretaria da Universidade onde recebi o cheque da bolsa de estudos. Disse ao meu pai que já estava tudo em ordem e eu ficaria bem e ele concordou que regressaria no comboio da tarde. Mas tinha a dele fisgada.
Despedimo-nos depois do almoço e fui para a primeira aula. Era de apresentação – éramos 22 estudantes na minha turma: 3 finlandeses altos e loiros, 2 italianas morenas e muito barulhentas, um brasileiro, etc. etc. – e à nossa frente o coordenador do curso, Professor Doktor Hans Vermeer.
 Quando chegou ao meu nome, mirou-me bem e pareceu-me que notei um leve sorriso irónico. No fim disse para todos: “Temos aqui uma estudante portuguesa, Fräulein de Barros” (fez uma pausa frisando bem o de  que corresponde em alemão a von e que nesse tempo, na Alemanha, ainda tinha um estatuto,  apetecia-me dizer: um estatuto do caraças, pronto, está dito ), e continuou “ a Fräulein de Barros, cujo pai veio falar comigo para a recomendar. Portanto, temos, todos nós, de tratar a Fräulein de Barros muito bem”. Fim do discurso.Foi uma das maiores vergonhas da minha vida. Fiquei encolhida, de cabeça baixa, quase em lágrimas. Queria era meter-me num buraco. O Prof. saiu e todos os colegas vieram rodear-me, pôr o braço no meu ombro, oferecer-se para me ajudar, para me acompanhar... Aí é que as lágrimas correram mesmo. A vontade que eu tinha de gritar com o meu pai !  Um pai-corujo, vindo lá das Berças... Um pai moncorvense e ...  está tudo dito.

O curso até correu bem. (Outra coisa não seria de esperar, com tanta gente a proteger-me...). Durante anos, pelo Natal, o meu pai-corujo  enviou uma garrafa de vinho do Porto ao Professor Doktor Hans Vermeer.

Leiria, 15.04.2013
Júlia Ribeiro

Freixo de Numão - Herança judaica













Fotos A.F.F.M.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

PRIMAVERA -Camélias


MIRANDA DO DOURO - 1954

Foto cedida por Arnaldo Firmino

LINHA DO SABOR - Recordar



linha sabor anos 80

ALFÂNDEGA DA FÉ - Cerejais em flor



A produção de cereja em Alfândega da Fé é relativamente recente. Foi na década de 60 graças ao projeto visionário do Engenheiro Camilo de Mendonça que a cereja começou a assumir importância na economia concelhia. Este engenheiro, natural de Vilarelhos, uma freguesia do concelho de Alfândega da Fé, idealizou um projeto hidroagrícola para dinamizar a agricultura Transmontana. Tal implicou também a criação da Cooperativa Agrícola local, ainda hoje responsável pela maior mancha de pomares de cereja existente em Alfândega da Fé, cerca de 60h. 

Destino, por Armando Sena

Não sei se caminho em parte incerta
Se o tempo é este em que vegeto
Se o que vivo é agora ou longe ausente
Se sim, se não, se dor somente

Aquela porta que no fim já foi aberta
É agora sinónimo de ti presente

Longe vai o tempo e a lembrança
Perto da presença que te invoca
A lua que é a mesma e me provoca
Esguia escorre em demasia
Desfalece, agoniza e ressuscita

Assim se completa a aliança
Do tremor da noite se faz dia

Excerto de Colheita de Incertezas

Nordeste Transmontano - Património

FOTO A.F.F.M.

domingo, 14 de abril de 2013

Viagens II, por Júlia Ribeiro


Ora, o meu pai foi levar-me a Heidelberg.
Mas não imagine o leitor que me levou de carro ou que fomos de avião. Não me lembro de o meu pai algum dia ter um carro novo. Eram sempre em 2ª ou 10ª mão e pé e avariavam pelo caminho. De avião... santo Deus, nessa altura e para as gentes de Moncorvo, andar de avião era não só uma coisa  inédita, como envolvia algo de mágico. Os raparigos da Corredoura, quando avistavam um avião lá no céu, vinham todos a correr em algazarra para o Largo , de dedo espetado no ar “Olha o avião. Vai além. Adeus, adeus”, e acenavam convencidos que os passageiros os viam e lhes acenavam também.
O amigo Xico Cabeças no final do dia 31 de Julho de 1957 levou-nos a Celorico da Beira, para apanharmos o Sud Express.
Belo nome para um comboio que começou por ser de luxo e, nas décadas de 50, 60 e 70 passou a ser o combóio dos emigrantes. Era suposto que o Sud andaria a 150 km/hora, mas nem daí a cem anos circularia com essa velocidade. Parava em todas as estações, pois em todas entravam mais emigrantes. A máquina, que até há 2 ou 3 anos antes era a vapor, isso mesmo, trabalhava a carvão, era agora já de tração a diesel. Um enorme progresso!! Porém, como havia só uma via férrea, os outros combóios que circulavam nela, tinham de esperar pelo Sud nas estações e só depois dele passar é que seguiam viagem. Diziam as tabelas horárias daquele tempo que eram 45 horas de Lisboa a Paris. Só que, no mês de Agosto, em que emigrantes regressavam a França e outros vinham matar saudades, o Sud Express demorava dois longos dias e duas mais longas noites. Penosas noites, sentados – os que ainda arranjaram lugar sentado- em bancos duríssimos, joelhos contra joelhos, chega para lá o catrunho, cuidado que está aí o garrafão ... Doiam as costas, doia o pescoço, doia tudo. 
Eu não sabia que havia no Sud serviço de “Wagon-lit” e, mesmo que o meu pai soubesse, isso era um luxo inacessível. Iamos comer umas sandes manhosas à carruagem-restaurante e beber água e já era algo de extraordinário. Verdade seja dita, que os nossos companheiros emigrantes queriam que comêssemos do seu farnel e o meu pai nem se fazia muito rogado: comia empada, pão com chouriço, conversava... Eu só tinha era sede. Alguém disse que estavam 38 graus e que a temperatura ia subir. Claro que não havia ar condicionado. Mas nem tudo era mau: ainda havia quem tocasse realejo e quem cantasse...
Tínhamos entrado em Celorico já passava das 10 horas da noite. Com as paragens todas, era meia noite quando chegámos a Vilar Formoso. Guarda fronteiriça, passaportes à mão e mais uma hora de paragem. Fuentes de Oñoro: a mesma coisa, só que com a Guardia Civil e mais hora e meia perdida.
E lá seguimos: iriamos ter uma noite inteira até Irun/Hendaye, a fronteira pirenaica. O meu pai explicou-me que aí não demorávamos só por causa dos passaportes; a paragem seria mais longa, por causa da diferença de bitolas: a bitola ibérica era diferente da bitola europeia. Portanto que aproveitasse para dormir essas horas até Hendaye.
Ao meu lado direito estava um estudante alemão que vinha de Coimbra, onde passara um semestre a estudar Português. Fomos conversando e a certa altura o sono atormentava-me, mas o calor era de abafar e o ressonar de meu pai (ao meu ouvido esquerdo) e o roncar de outros dois homens acordava o Sud inteiro. Era-me impossível dormir.
Já exausta, disse para o moço alemão: “Queria tanto dormir, mas não consigo” .
Resposta imediata do rapaz: “Não comigo?”.
O espanto dele era genuino e eu fiquei sem fala. Depois ri a bom rir, quando percebi que ele não conhecia o verbo “conseguir”. Aproveitei para lhe dar uma breve lição de português.
Acordei em Hendaye com a cabeça encostada ao braço do alemão e um torcicolo dos diabos.

(Continua)
Leiria, 2013-04-14
Júlia Ribeiro

ADEGANHA - PATRIMÓNIO CULTURAL

Foto A.F.F.M.

sábado, 13 de abril de 2013

Viagens, por Júlia Ribeiro

Neckar-River,-Heidelberg,-Germany

Penso que toda a gente tem episódios, mais ou menos curiosos, mais ou menos engraçados,  para contar de alguma(s) viagen(s) que tenha feito. Eu tenho.
A primeira vez vez que fui à Alemanha (corria o ano de 1957),  com uma bolsa de estudos  atribuida pelo Goethe Institut  pela nota obtida no exame de Alemão do antiquíssimo 7º Ano, fui acompanhada pelo meu pai.
Eu estava já no 1º ano de Filologia Germânica em Coimbra, quando a notícia me chegou à mão, em carta assinada pelo Chefe da Secretaria do Liceu de Bragança, o bondoso Sr.Manuel Maurício. Acompanhava a carta um impresso que eu tinha de assinar sobre um selo de vinte e cinco tostões, ou seja, um selo de 2$50. (Hoje nem chegaria a dois cêntimos).
Obviamente fiquei muito feliz, telefonei ao meu pai que ficou todo babado, e fui logo comprar o dito selo, colei-o no lugar devido, assinei, escrevi o envelope e enviei a carta ao Sr.Maurício, que me respondeu na volta do correio, dizendo que o Liceu já enviara todos os papéis para o Goethe Institut e acrescentava  que o selo sobre o qual eu assinara, deveria ter sido fiscal e não um selo dos correios, mas que ele havia resolvido o problema.
Santo Deus! Imaginem só: tinha 17 anos e não sabia que devia utilizar um selo fiscal. Claro que já vira documentos selados, mas eram coisas de tribunal ou de notário, como cédulas, certidões de nascimento, BI, e estava convencida que só essas entidades oficiais é que utilizavam os tais selos.
Não há dúvida, vinha lá das berças: passara da Corredoura, de empréstimo para a Vila, daí para Bragança, e estava há dois meses em Coimbra (num Lar de Freiras Franciscanas) , mas continuava a pertencer às Berças.
Ah, pois, o meu pai foi comigo até Heidelberg ...
 
(Continua – como os folhetins antigos...)
Leiria, 12 de Abril de 2013.

Júlia Ribeiro

"Trancoso visto por elas"


ALFÂNDEGA DA FÉ - Grupo de Cantares


Primeiro Aniversário do Grupo de Cantares de Alfândega da Fé | 14 de abril | 15.30h | Casa da Cultura Mestre José Rodrigues

O Grupo de Cantares de Alfândega da Fé comemora o primeiro aniversário com uma atuação no Auditório Manuel Faria, da Casa da Cultura Mestre José Rodrigues. À iniciativa associou-se o Grupo de Cantares Espinhosense. A “Festa” tem início marcado para as 15.30h, do dia 14 de abril. A entrada é livre.
O Grupo de Cantares de Alfândega da Fé tem, atualmente, cerca de 40 elementos que com o apoio da Câmara Municipal conseguiram a teimosia necessária para fazer vingar este projeto. A formação junta várias gerações e tem vindo a revelar-se como um bom exemplo de preservação e valorização da música tradicional. Além disso, é também uma forma de contribuir para a ocupação dos tempos livres da população, potenciando as suas vocações. 

ESTEVAIS -Património cultural


Almendra - Solar dos Viscondes do Banho

Interior do solar.Foto A.F.F.M.
Solar do Visconde de Almendra ou Solar dos Viscondes do Banho é um palácio barroco que albergou, por muitos anos, os viscondes do Banho e de Almendra, e até hoje pertence a parte herdeira da nobre família Morais Sarmento. O edifício palaciano, exemplo ditoso da arquitectura setecentista do interior português, localiza-se em Almendra, em Vila Nova de Foz Côa.
Wikipédia

A. M.PIRES CABRAL -aldeias abandonadas

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In JL nº1065

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Trás-os-Montes não é divisível,por Armando Sena


Por uma série de felizes coincidências, tornei-me frequentador este blogue. Depois de conhecer o autor, num feliz evento cultural, foi ainda mais habitual a minha visita a este espaço e de frequentador assíduo, passei a participante.
Foi sendo tanta a proximidade que, Moncorvo, sendo apenas para mim uma referência geográfica e um local de passagem, pelo vale da Vilariça, passou a ser um ponto de atração. E, foi assim, que investi três dias das minhas férias para melhor conhecer o concelho e a região. Em boa altura o fiz. Comecei por subir a ladeira mais íngreme de que tenho memória de ter subido de carro, mas valeu a pena, esperavam-me paisagens deslumbrantes, usos, costumes e iguarias que marcam.
Um dia talvez volte a este tema, mais em detalhe, para já fica-me a recordação de um lugar único num dos cantos deste imenso Trás-os-Montes e a recordação de um concelho de variadíssimas riquezas, a começar pela paisagem.
E mais uma vez confirmei a minha teoria de que Trás-os-Montes não é divisível, pois ser transmontano é um estado de alma, algo que está entranhado, que nasceu connosco e, como bem sabemos, o que o berço dá, só a tumba o tira.

Armando Sena

Rio Douro - Lá para os lados do Peredo